quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O sentido da vida e da Felicidade estão nelas mesmas

Um pensador me encanta. É Schopenhauer, conhecido por pessimista. E para se destacar como pessimista entre os filósofos e preciso caprichar. Schopenhauer diz que viver é uma roubada espetacular e o que atrapalha muito a vida são duas coisas: o divertimento e o enfado.

Você deseja o que você não tem e de repente você consegue o que desejava. Aí você não deseja mais e passa a desejar outra coisa. Essa é a definição de divertimento. O divertimento é trifásico: querer o que não se tem, conseguir o que se desejava e agora desejar outra coisa. 



Então agora você percebe: o divertimento é marcado por um pêndulo. Ou você deseja e não tem ou tem e não deseja mais e depois volta a desejar o que não tem. Assim por exemplo, você tem sede bebe água. Fim do desejo. Desejo de fazer xixi. Saciedade. E assim vamos desejando o que não temos e buscando a saciedade. A lógica do divertimento é a lógica do saco sem fundo, da saciedade impossível. É a lógica que invariavelmente estarão faltando coisas e você invariavelmente estará buscando aquilo que te faz falta.


O segundo problema da vida é o tédio ou enfado. Ele seria caracterizado por uma rede de utilidades. O útil sempre é entendido como uma coisa boa e o inútil como um coisa ruim. No entanto quando uma coisa é útil seu valor está fora dela. Assim o colírio é útil porque limpa os olhos. O veículo é bom porque permite o deslocamento para um lugar onde você não está. Tudo o que é útil tem o seu valor fora de si. O ensino fundamental e útil para chegar no ensino médio. O valor do ensino médio está na faculdade. O valor da faculdade está no emprego. 

Portanto se um dia você for chamado de inútil não fique triste pois podem estar tentando te dizer que no seu caso o seu valor está em você mesmo tanto quanto a felicidade que por definição é inútil. Ou você teria a resposta para a pergunta ser feliz para que? A felicidade é perfeitamente inútil porque ela vale por ela mesma. Quanto mais na nossa vida encontrarmos coisas que tem valor em si mesma e por tanto sejam inúteis a chance de viver melhor aumenta muito.

Adaptado de uma palestra do professor Clovis de Barros Filho

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